Arquivologia

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Catarse no Mangrove


Porfírio Faustino sai para mais um dia de trabalho. Frenesi chega de mais um dia de overdose de Special-K. Os vidros dos prédios de aço, concreto e sangue espelham o esplendor da sociedade pródiga. Por outros lados os prédios-casulo dos distritos dormitórios no máximo causam ira e indignação das crianças índigo.

Crustácyber sempre de prontidão a vigiar e punir a indecência alheia. Humanos de barro sempre a multiplicar o proletário a serviço da espoliação. No fim, quase todos são robôs. Ou pior, tornaram-se robôs. Só coqueiros e gatos e cachorros de plumas amenizam o clima. Enquanto Grifos repousam nas pontes e mercados da metrópole, perdizes cantam nos ouvidos do mundo músicas de Lennon, o deus Psicodélico.

Olhos negros deslumbrados no neon noturno. Batom prata metálico laboriosamente enfeitado nos lábios carnudos. Cabelos curtos de corte Chanel. Pelagem de neve. Roupas justíssimas de couro. Coração de dinamite. Seu dia é apenas um feixe do futuro, por onde o pretérito jorra anfetamina sem parar. É a tal da Frenesi.

Porfírio, como gosta de ser chamado, é um funcionário público de Mauristadz. Isso já diz muito de si. Apesar de, cotidianamente, usar um chapéu de linho sua alma nutre o desejo de sentir rajadas de ventos litorâneos tumultuarem seus cabelos castanhos. As águas passadas ainda o fazem temer gestos bruscos de atitude. Para tanto, mantém o bigode podado, os gestos modestos e argumenta que só acredita no materialismo da ciência.

Todas as noites ao deitar o cérebro cibernético nos travesseiros, ambos sonham com espectros poligonais variantes de tons azul, vermelho, amarelo e verde. Obeliscos e pirâmides invertidas se cruzam inadvertidamente, como um vai-e-vem frenético. Todas as madrugadas ambos despertam apanhados de suor e excitação. Pêlos felpudos ventrais eriçados e músculos transformados em rígidas vigas de aço. Todas as manhãs o amargo sabor do esquecimento porque o universo caótico não tolera destinos traçados.

Entretanto alguns resolveram não bater continência ao universo e sua pompa e circunstância. E ganharam suas recompensas. Van Marter, Sopro Eterno e a Condessa Sozhalet’ se tornaram imagos da noosfera planejando colecionar artefatos e divulgar propagandas criptografadas para cérebros parabólicos de Mauristadz. Tudo secretamente é claro. Antes que Zé Caboclo e os Crustácyber interceptem freqüências e nódulos de dimensões extra-sensoriais.

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