Arquivologia

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Soneto do Despertador


Desde do dia em que papai lá me relegou às melodias e partituras
Duzentos anos vivi recluso no Palácio da exclusiva Filarmônica,
De tanto estudar os anjos aprendi a ludibriar,
De tanto me entediar um desafio sugeri ao perpétuo Reino do Sonhar.

O que, no início, aparentava ser o mais doce prêmio
Ao passar das horas revelou-se o martírio do milênio,
Pois quem se achava libertador de seu próprio destino
Ao ver futuro tão naufragoso logrou enorme desatino.

Hoje desiludido estou,
Peregrinando amordaçado pelas fendas do real,
Arquitetando tão saborosa redenção.

Hoje é apenas um furo no futuro,
Porque eu aqui isolado onde nada é perdoado,
Vim à Mauristadz para os deuses despertar.

Autoria: Sopro Eterno.

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