Arquivologia

quarta-feira, 3 de março de 2010

Manhattan Noon


Minha presença faz soprar uma brisa. Forte o suficiente para fazer um jovem casal entrelaçar seus corações na fria Nova Iorque. Desejo, através de um suspiro de olhos fechados, pausar o tempo. Escuto o grasnar dos pássaros ecoarem pelo universo.

Percebo meu corpo robótico estalar, o velho sinal da falta de afinidade entre o mundo e eu. Minha mente pede para sentir outra vez. Escuto uma melodia ébria tocada pela natureza. Sinto o cheiro das árvores do parque. Provo o gosto crocante da pipoca de uma estátua de velha idade, cuja atividade era alimentar pombos idiotas. Todas essas sensações proporcionam para mim uma grande alegria.

Exceto uma. Pois ao rodar meus olhares diante do mundo estático percebi algo lutar contra mim. O lago punha-se a ondular. Aquilo me deixou uma mescla de intriga e impotência. Não estaria ficando fraco? Afinal de contas, meus poderes mágicos se resumem a controlar as relações tempo/espaço. E o fato do lago não ser afetado pela minha presença me deixou profundamente angustiado.

Sei que o mais importante nessa vida é o tempo. Uma vez que na luta travada entre o tempo e o espaço, o segundo pode ser recuperado enquanto o primeiro não. E então, também eu não estaria à mercê do tempo? Volto meu olhar para uma placa gigante dizendo: Meio-dia em Manhattan. Embora, o relógio aponte 10:20h da manhã. Enquanto me despeço mais uma vez do mundo, vejo a vida retornar a sua devida cronometragem.

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